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22 de outubro, Dia Internacional da Gagueira

 Gagueira não tem graça, tem tratamento.

 

A gagueira pode possuir um fundo psicológico e neurológico

 

Repetição de sílabas, dificuldade em começar palavras e reações inesperadas são alguns sintomas da gagueira. Distúrbio ainda pouco conhecido e muito estudado causa problemas emocionais e sociais aos gagos.

Existem três tipos de gagueira: "a mais comum é a gagueira de desenvolvimento, que começa na criança necessariamente. Tem um outro tipo mais raro que se chama gagueira neurogênica que vem de uma lesão cerebral, a pessoa fala bem, mas em razão de alguma lesão a pessoa fica gaga e a gagueira psicogênica que existem pouquíssimos casos relatados e envolvem adultos que é bem mais raro", diz Sandra Merlo, fonoaudióloga formada pela USP, mestre em lingüística pela UNICAMP e presidente da ABRAGagueira (Associação Brasileira de Gagueira).

Uma possível causa da gagueira de desenvolvimento é quando a criança possui um fundo genético, ou seja, tem uma tendência, mas não quer dizer que será gaga. O problema vem à tona quando se passa por um stress emocional. Como, por exemplo, a falta de atenção dos pais. Isso faz com que uma determinada região do cérebro não funciona direito, por isso tem uma reação externa que possui algum papel nas emoções, mas ainda seu envolvimento é desconhecido. Então, este lado emocional é uma conseqüência, pois tenta falar e não consegue, prossegue Sandra.

> Para o gago, uma das coisas mais difíceis é a própria aceitação do distúrbio pela pessoa e sua família que pode demorar até anos. Como aconteceu com Eleide Gonçalves, 41, que começou a gaguejar por volta dos seis anos e assumiu seu problema há dois anos. Seus pais chamavam sua atenção para falar direito ou para pensar para falar, o que não a ajudava. Porém sua pior situação foi na faculdade de processamento de dados, "o professor perguntou meu nome e eu não consegui falar. Ele me perguntou se eu tinha esquecido meu próprio nome e respondi que era gaga. A sala ficou naquele silêncio constrangedor", diz Eleide.

Quem também passou por pressão dos pais e não teve medo de mostrar o distúrbio foi Roberto Tadeu da Silva, bibliotecário, 36 anos e gago. Atuando numa área muito comunicativa nunca passou por problemas com nenhum usuário. "Gosto bastante de conversar com o usuário, pra mim seria a melhor arte, a convivência com o usuário da biblioteca".

A fonoaudióloga diz que a aceitação é diferente de resignação, "quando falamos de aceitação, quer dizer que a pessoa assume seu problema. Ela se resignar é sinal de auto-estima baixa. Como também a negação é ruim e seu ajustamento emocional não permanece bom". O gago ás vezes usa negação por compensação, sendo melhor em outras áreas que não seja aquela e também negação por atenuação, quando tenta minimizar o problema porque para ela é uma coisa grande. "O melhor é entender o que tem e que pode melhorar buscando ajuda", explica a mestre.

Não há cura ainda, mas sim a diminuição do abrandamento. Como de severo para grave, de grave para moderado e moderado para suave.

 

Matéria escrita por mim no ano passado.



Escrito por Debby às 17h26
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